quarta-feira, 1 de abril de 2009

RESUMO - ILUSÕES PERDIDAS (HONORÉ DE BALZAC)

UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCOCentro de Artes e Comunicação Social
Departamento de Comunicação Social
Prof. Antônio Carlos Xavier
Discente: Flávia Bruna Ribeiro da Silva Braga
02.03.2009

RESENHA: AMIGOS, AMIGOS. IMPRENSA À PARTE.
BALZAC, Honoré de. A Comédia Humana. Estudo de costumes. Cenas da vida provinciana: Ilusões Perdidas. Tradução de Ivone Castilho Benedetti. Porto Alegre : L&PM, 2007. 628p.

Por muitos considerados o papa do romantismo francês, Honoré de Balzac não deixa a desejar em nada o título que lhe foi apregoado. Diferente de Dante Alighieri em seu ensaio sarcástico sobre a sociedade em A Divina Comédia, Balzac atrela-se aos escondidos e aos detalhes mais sujos da sociedade na qual viveu e extraiu as fontes necessárias para a sua obra prima: Ilusões Perdidas.
Lucien de Rubempré, personagem central da trama, é um poeta ambicioso que se rende aos prazeres parisienses e entra “de cabeça” na esfera jornalística, acreditando ser a profissão uma alavanca para o seu sucesso como escritor. Mas é aí que Balzac se destaca: diferente dos romanceiros típicos de sua época industrial, o autor relata uma trilha sofrida e iludida para o protagonista, sendo, assim, uma história que pretende ser um alerta para aqueles que sonham.
O título de Comédia para o livro de Alighieri tem um significado bom para os seus personagens que terminam no paraíso. Balzac, em sua comédia, distorce o sentido tradicional da palavra, num sarcasmo inteligente à consciência romântica de sua época.
Lucien, no enredo, vive uma onda de “vai-e-vem” entre a hipocrisia da alta sociedade e o sofrimento dos pobres de sua época. É através de uma paixão que o personagem ingressa na sedutora Paris e defronta-se com uma realidade na qual nunca tinha vivido. Impulsionado pelas novidades, o poeta vê-se sozinho e desamparado em sua sobrevivência na capital. Sendo-lhe o único talento a escrita, Lucien torna-se resenhista de livros. Balzac, com sua forma sutil e perspicaz, mostra a partir daí um jovem seduzido pela imprensa. O sucesso vem ao lado da imoralidade de seus artigos.
Não há dúvidas de que a estória de Ilusões Perdidas não terminou no século XIX. O autor, com sua incrível capacidade de relatar a comédia humana – sendo “comédia” aí um leve sinal de sua ironia sagaz – adaptou o enredo às diversas situações e épocas da sociedade. Podemos claramente colocar-nos no lugar de Lucien de Rubempré, viver suas angústias e deparar-nos com a censura e os interesses da mídia, assim como aqueles que não farão parte jornalismo, mas dele usem, têm nesta obra-prima uma cartilha de aprendizagem para a vida e para suas ilusões. Pessimismo ou implicância, a verdade é que a imprensa parece ter seguido fielmente as previsões da mídia como instrumento de interesse de Balzac, que o diga Paulo Coelho.

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